No sábado (25 de outubro), a FourC recebeu profissionais de educação, familiares de alunos e outros interessados para uma conversa essencial sobre alfabetização, leitura e escrita. A palestra, conduzida pela diretora de ensino Juliana Storniolo, reforçou um princípio que orienta a proposta pedagógica da escola: aprender a ler não é apenas decodificar palavras, mas desenvolver a capacidade de compreender, pensar e construir sentido.
Logo no início, Juliana provocou o público a olhar para a própria experiência escolar. Quem ali havia passado noites decorando conteúdos que nunca utilizou? A pergunta abriu espaço para uma reflexão sobre o que realmente permanece como aprendizagem significativa ao longo da vida.
A partir dessa discussão, Juliana introduziu um ponto central: no mundo atual, saber pensar vale mais do que decorar respostas. O mercado de trabalho, os desafios sociais e as novas relações com o conhecimento mostram que habilidades como curiosidade, colaboração, autonomia e interpretação são tão fundamentais quanto o domínio técnico da leitura.

A leitura como mergulho, e não como superfície
Durante a palestra, Juliana usou uma analogia que atravessou toda a conversa. Aprender a ler pode ser como aprender a nadar. Todos podem aprender a se manter na superfície, mas há uma diferença entre “não afundar” e realmente explorar a profundidade.
Para a escola, alfabetizar não significa apenas garantir que o aluno consiga ler palavras, mas que desenvolva a capacidade de pensar sobre o que lê, dialogar com o texto e produzir interpretações próprias. Esse processo exige tempo, mediação e experiências que despertem interesse e significado.
“Pensar leva tempo. Se queremos profundidade, não podemos ter tanta pressa”
Juliana Storniolo, diretora de ensino da FourC
A diretora de ensino da FourC também lembrou que, embora exista um parâmetro sobre quando a leitura costuma se consolidar, o ritmo de cada criança é singular. Comparações entre crianças, escolas ou famílias geram ansiedade. Nesse sentido, a pressa é inimiga da compreensão.
O papel da Cultura de Pensamento

A palestra também apresentou alguns princípios que orientam o trabalho pedagógico da FourC, inspirados no Project Zero da Universidade de Harvard. Entre eles, três foram destacados:
- As perguntas movem o aprendizado
- A compreensão é construída coletivamente
- O crescimento acontece no ponto de desafio
Durante a atividade prática proposta na palestra, o público pôde experimentar uma rotina de pensamento. Os presentes experimentaram como observar, levantar hipóteses e formular perguntas são movimentos intelectuais essenciais para a leitura, indo muito além da mera decodificação.